Proteção solar

Protetor solar em dias nublados e no frio: precisa mesmo?

Protetor solar em dias nublados e no frio: entenda por que o UV atravessa nuvens e vidro e como se proteger na primavera em Passo Fundo.

Dra. Lara Tusset Por Dra. Lara Tusset, dermatologista · · 6 min de leitura

"Doutora, hoje está frio e nublado, não precisa de protetor, né?" Essa é uma das perguntas que mais escuto no consultório — e a resposta costuma surpreender. Usar protetor solar em dias nublados e frios é, sim, importante, porque a radiação ultravioleta não depende da temperatura nem de o sol estar aparecendo. Vou explicar por quê, com a realidade aqui de Passo Fundo em mente.

Frio não significa sol fraco

Temos a tendência de associar calor a sol forte e frio a sol fraco. Mas a sensação térmica vem principalmente da radiação infravermelha e da temperatura do ar, enquanto os danos à pele vêm da radiação ultravioleta (UV), que não sentimos na pele.

Ou seja: você pode estar de casaco, sentindo frio, e ainda assim recebendo uma dose importante de radiação UV. É por isso que tantas pessoas se surpreendem com vermelhidão no rosto depois de um dia de vento gelado ao ar livre, ou depois de um passeio na serra.

O caso de Passo Fundo na primavera

Aqui no planalto gaúcho, isso fica muito evidente na primavera. É comum o dia amanhecer frio e nublado, com aquela neblina típica, e ao longo da manhã o céu abrir ou ficar parcialmente encoberto — e o índice UV já estar alto. Nessa época, a radiação vai aumentando semana a semana, enquanto a temperatura ainda oscila bastante. Quem se guia apenas pelo termômetro acaba saindo sem proteção justamente em dias em que ela faz diferença.

Por que usar protetor solar em dias nublados

As nuvens reduzem parte da radiação, mas não a bloqueiam completamente. O quanto passa depende do tipo e da espessura das nuvens: nuvens finas ou esparsas deixam passar boa parte do UV, e em algumas situações a radiação pode até ser refletida e espalhada pelas bordas das nuvens.

Além disso, é preciso entender a diferença entre os dois principais tipos de radiação UV que chegam até nós:

  • UVB: é o principal responsável pela queimadura solar (a pele vermelha e ardida). Varia bastante ao longo do dia e das estações;
  • UVA: penetra mais profundamente na pele, está presente de forma mais constante ao longo do dia e do ano, e atravessa nuvens e vidros comuns com mais facilidade. Está ligado ao envelhecimento da pele (fotoenvelhecimento), ao surgimento e à piora de manchas e também contribui para o risco de câncer de pele.

Como o UVA não "arde", muitas vezes não percebemos que estamos expostos. O dano é silencioso e cumulativo, somando-se ao longo dos anos.

E dentro de casa, no carro ou no escritório?

O vidro comum de janelas bloqueia a maior parte do UVB, mas deixa passar uma parte relevante do UVA. Na prática, isso significa que:

  • Quem trabalha perto de janelas recebe radiação ao longo do dia;
  • Quem passa muito tempo dirigindo tende a ter mais sinais de sol no lado do corpo voltado para a janela;
  • Ambientes muito iluminados por luz natural também contam.

Por isso, costumo orientar o uso diário de protetor solar no rosto, pescoço, colo e mãos, mesmo para quem passa a maior parte do tempo em ambientes internos. A luz visível (a luz que enxergamos) também pode influenciar manchas, especialmente o melasma — falo disso no post sobre qual protetor solar escolher para cada tipo de pele.

Como usar o protetor solar no dia a dia

Saber que precisa usar é o primeiro passo. Usar corretamente é o segundo. Algumas orientações que sempre reforço:

Quantidade

A maioria das pessoas aplica menos protetor do que o necessário, e isso reduz a proteção real em relação ao que está no rótulo. Para o rosto e o pescoço, uma referência prática é algo em torno de uma colher de chá do produto.

Momento da aplicação

Aplique pela manhã, como último passo da rotina de skincare, antes da maquiagem. Se possível, alguns minutos antes de sair de casa.

Reaplicação

Em dias de exposição ao ar livre, reaplique a cada duas horas, aproximadamente, e sempre após suar muito, nadar ou secar o rosto com toalha. Em dias em que você fica em ambiente interno, reaplicar antes de sair no fim da tarde já ajuda.

Não esqueça as áreas "esquecidas"

Orelhas, pescoço, nuca, colo, dorso das mãos e lábios (com produtos próprios para lábios) costumam ficar de fora — e são locais onde frequentemente aparecem manchas e lesões causadas pelo sol.

Proteção solar vai além do protetor

O protetor solar é uma parte importante da fotoproteção, mas não é a única. Especialmente em dias de exposição prolongada, vale combinar:

  • Chapéu de abas largas e óculos de sol com proteção UV;
  • Roupas que cubram mais a pele — hoje existem tecidos com proteção UV;
  • Sombra, principalmente nos horários de radiação mais intensa, geralmente entre o fim da manhã e o meio da tarde;
  • Consultar o índice UV na previsão do tempo, em vez de se guiar apenas pela temperatura ou pelas nuvens.

E vale lembrar: não existe bronzeado sem algum grau de dano à pele. Se esse assunto te interessa, escrevi sobre bronzeamento saudável: mitos e verdades.

Perguntas frequentes

Precisa passar protetor solar em dia nublado?

Sim. As nuvens filtram apenas parte da radiação ultravioleta, e o UVA, ligado ao envelhecimento e às manchas, atravessa as nuvens com facilidade.

Precisa usar protetor solar no frio ou no inverno?

Sim. A temperatura não indica a intensidade da radiação UV. No frio, a radiação costuma ser menor do que no verão, mas continua presente, e na primavera ela já pode estar alta mesmo em dias frios.

Precisa usar protetor solar dentro de casa?

Se você fica perto de janelas ou em ambientes com muita luz natural, sim. O vidro comum bloqueia boa parte do UVB, mas deixa passar parte do UVA.

Protetor solar com FPS alto dispensa a reaplicação?

Não. Suor, oleosidade, atrito e água removem o produto ao longo do dia, independentemente do FPS. A reaplicação continua necessária.

Quando procurar a dermatologista

Se você percebe manchas novas, pintas que mudaram de aspecto, feridas que não cicatrizam ou tem dificuldade de encontrar um protetor que se adapte à sua pele, vale fazer uma avaliação. Entender por que usar protetor solar em dias nublados e frios é o começo; o próximo passo é encontrar a proteção certa para o seu tipo de pele e sua rotina. Se quiser, agende uma consulta no meu consultório no Centro de Passo Fundo — vamos conversar com calma sobre o que faz sentido para você. Aproveite também para conhecer os sinais de alerta do câncer de pele e como fazer o autoexame.

Este conteúdo é informativo e não substitui a consulta médica.

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